INFOSI E FADCOM LANÇAM PLATAFORMA DE ESTÁGIOS REMUNERADOS NO BACKUP DATA CENTER

Educação Sociedade Tecnologia

Programa prevê bolsa mensal de 90 mil kwanzas e poderá beneficiar até 96 jovens por ano

O Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação (INFOSI), em parceria com o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento das Comunicações (FADCOM), lançou uma plataforma de estágios remunerados no Backup Data Center do Governo, em Luanda, numa iniciativa destinada a reforçar a formação prática e a empregabilidade dos jovens angolanos no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação.

O anúncio foi feito pelo director-geral do INFOSI, André Pedro, durante a abertura da 17.ª edição da Feira de Inovação Tecnológica do ITEL (FITITEL), que decorre em Luanda.

A iniciativa resulta de um memorando de entendimento celebrado entre o INFOSI e o FADCOM, que estabelece as bases para a criação de oportunidades de formação prática para estudantes e jovens interessados em desenvolver competências nas áreas tecnológicas.

Segundo André Pedro, os estágios terão uma duração inicial de três meses, podendo ser prorrogados até seis meses, e os jovens seleccionados receberão uma bolsa mensal de 90 mil kwanzas.

“Queremos incentivar a juventude a investir cada vez mais nas tecnologias.”

O director-geral do INFOSI considera que a remuneração constitui um factor importante para permitir que os estudantes tenham melhores condições para se dedicarem à formação prática e à investigação.

Até 96 jovens poderão beneficiar anualmente

O programa poderá acolher até 24 jovens por ciclo de estágio, permitindo, em quatro ciclos de três meses, alcançar potencialmente 96 estagiários por ano.

A medida pretende aproveitar a capacidade instalada no Backup Data Center para proporcionar aos estudantes contacto directo com ambientes tecnológicos profissionais, permitindo-lhes aplicar conhecimentos adquiridos durante a formação académica.

Entre as áreas que poderão beneficiar deste processo de formação encontram-se a gestão de centros de dados, redes de comunicação, computação em nuvem, cibersegurança, administração de sistemas, armazenamento e protecção de dados.

O programa representa, deste modo, uma aproximação entre a formação académica e as necessidades concretas do mercado de trabalho, num momento em que Angola procura aumentar a sua capacidade de produzir quadros especializados para sustentar a transformação digital.

Estudantes vêem oportunidade de ganhar experiência

Entre os jovens que acompanharam a abertura da 17.ª FITITEL esteve Nelson dos Santos, aluno do ITEL, que considera os estágios remunerados uma oportunidade para os estudantes complementarem a formação teórica com experiência prática.

Para Nelson dos Santos, o contacto com profissionais e equipamentos utilizados no ambiente real de trabalho pode contribuir para preparar melhor os jovens para os desafios do mercado tecnológico.

Também Jessica Tavares, aluna do ITEL, destacou a importância de iniciativas que permitam aos estudantes adquirir experiência profissional ainda durante o período de formação.

Na perspectiva da estudante, a possibilidade de realizar um estágio remunerado representa uma motivação adicional para os jovens investirem nas áreas tecnológicas e desenvolverem competências que poderão ser utilizadas posteriormente no mercado de trabalho.

A remuneração de 90 mil kwanzas mensais constitui igualmente um incentivo, sobretudo para estudantes que enfrentam despesas relacionadas com transporte, alimentação e outros custos associados à frequência de um estágio.

Encarregados de educação acompanham com expectativa

A iniciativa foi igualmente acompanhada por encarregados de educação, entre os quais José Pascoal, que esteve presente na abertura da FITITEL.

Para os encarregados de educação, a criação de estágios remunerados representa uma oportunidade para os jovens adquirirem experiência profissional, ao mesmo tempo que recebem um apoio financeiro durante o período de formação.

José Pascoal considera que programas desta natureza podem contribuir para uma melhor preparação dos estudantes para a vida profissional, sobretudo num sector em rápida transformação como o das tecnologias de informação.

A participação das famílias também reforça a importância de aproximar as instituições de ensino, os organismos públicos e o sector empresarial na criação de mecanismos capazes de facilitar a transição dos jovens da escola para o mercado de trabalho.

Do estágio à criação de oportunidades de negócio

A estratégia do INFOSI e do FADCOM não se limita à formação de recursos humanos. A iniciativa pretende também criar condições para que os conhecimentos adquiridos pelos jovens possam posteriormente ser transformados em serviços, projectos e soluções tecnológicas para o mercado nacional.

A previsão de expansão da prestação de serviços tecnológicos a entidades privadas poderá abrir novas oportunidades de negócio e permitir que os jovens formados no programa encontrem espaços de inserção profissional ou desenvolvam os seus próprios projectos.

O Backup Data Center passa, assim, a assumir uma dupla importância: além da sua função na salvaguarda e continuidade dos serviços digitais do Estado, poderá funcionar como um espaço de formação, experimentação, investigação e desenvolvimento de competências tecnológicas nacionais.

A iniciativa está alinhada com os objectivos da 17.ª FITITEL, que procura aproximar estudantes, instituições públicas e empresas do sector tecnológico, criando condições para que a inovação produzida pelos jovens possa transformar-se em soluções concretas para o país.

Para o INFOSI, a aposta na juventude constitui uma componente essencial da transformação digital de Angola. A expectativa é que os estágios remunerados contribuam para formar uma nova geração de profissionais capazes de trabalhar em infra-estruturas digitais críticas e responder às crescentes exigências de segurança, inovação e soberania tecnológica.

Com bolsas de 90 mil kwanzas, formação prática e possibilidade de prolongamento dos estágios, o programa INFOSI–FADCOM pretende transformar o estágio profissional numa porta de entrada para o mercado de trabalho e num instrumento de estímulo à inovação tecnológica entre os jovens angolanos.

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