Uma revolução silenciosa está em curso nas universidades chinesas. Formados em instituições de prestígio como a Universidade de Tsinghua e a Universidade de Pequim, jovens engenheiros chineses estão a liderar uma nova era de inovação em Inteligência Artificial (IA), com impacto crescente na indústria global.
A liderança educacional por números
Segundo dados da UNESCO e do Center for Security and Emerging Technologic (CSET), a China forma atualmente mais de 3,5 milhões de graduados por ano nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) cerca de quatro vezes mais que os Estados Unidos, que forma cerca de 600 mil.
Desses graduados, uma parte crescente é especializada em IA, aprendizado de máquina e big data. O AI Index 2024 da Universidade de Stanford indica que a China é líder mundial em publicações científicas em IA, superando os EUA em volume e alcançando maior taxa de citações em várias subáreas da disciplina.
Universidades que moldam o futuro
Analistas da Brookings Institution e do MIT Technology Review apontam que a China está a formar não apenas técnicos, mas líderes em inovação digital, muitos dos quais participam de redes globais de pesquisa e desenvolvimento.
O cenário aponta para um futuro no qual a próxima revolução tecnológica da automação à computação cognitiva será cada vez mais impulsionada por talentos formados na China.

A Universidade de Tsinghua foi classificada como número 1 do mundo em publicações citadas em IA entre 2013 e 2016, segundo a The Economist. Já a Universidade de Pequim destaca-se na pesquisa aplicada, em parceria com empresas como Baidu, Alibaba e Huawei três gigantes tecnológicos que investem fortemente em IA.
Além disso, segundo o Nature Index 2023, a China já ultrapassou os EUA como líder em produção científica de alta qualidade em áreas como engenharia, computação e física.
Inovação com aplicação directa
A IA chinesa está presente em várias tecnologias que moldam a vida moderna, desde o reconhecimento facial utilizado em segurança pública e transportes, tradutores automáticos em tempo real, veículos autônomos em fase de testes avançados e plataformas de comércio eletrónico com IA preditiva como as da Alibaba e JD.com.
O investimento em educação e pesquisa também é acompanhado por apoio estatal robusto. O Plano Nacional de IA da China, lançado em 2017, visa tornar o país líder mundial em IA até 2030, com foco em pesquisa básica, aplicação comercial e regulação ética.