A Federação Angolana de Futebol (FAF) reconheceu, esta terça-feira, em Luanda, que a participação da Selecção Nacional no Campeonato Africano das Nações (CAN 2025), a decorrer no Reino de Marrocos, ficou aquém das expectativas, assumindo publicamente a falha das Palancas Negras na prova continental.
Em conferência de imprensa de balanço realizada na sede da instituição, o presidente da FAF, Alves Simões, admitiu que os objectivos inicialmente traçados não foram alcançados, classificando o momento como difícil, mas apelando à continuidade do trabalho. “Não alcançámos os objectivos que pretendíamos. É uma situação que nos entristece, mas não vou desistir”, afirmou.
O dirigente justificou o desempenho abaixo do esperado com o tempo reduzido para a planificação e preparação da Selecção Nacional, factor que, segundo explicou, condicionou a implementação do projecto técnico e o rendimento competitivo da equipa.
Alves Simões apelou ainda a um ambiente de crítica responsável. “Esperamos críticas honestas e sinceras, e não baseadas em mentiras. Só assim poderemos crescer juntos enquanto futebol angolano”, frisou.
Desilusão entre os adeptos
A eliminação precoce das Palancas Negras, confirmada após o empate sem golos frente ao Egipto, gerou frustração entre os adeptos, muitos dos quais acompanharam a competição com elevada expectativa.
Para Manuel António, amante do futebol e adepto da Selecção Nacional, o sentimento é de profunda decepção. “Acreditávamos que esta seria a nossa oportunidade de ir mais longe. Houve esforço, mas faltou organização e ambição em momentos decisivos”, lamentou.

Já Carlos Domingos, outro apaixonado pelo futebol angolano, considera que o problema vai além do CAN 2025. “Não é só esta competição. Falta um projecto sólido e continuidade. Angola tem talento, mas precisa de melhor preparação e visão a longo prazo”, afirmou.
Análise crítica
O comentador desportivo da LIVE TV ANGOLA, José Fernandes, considera que o insucesso da Selecção deve servir como alerta para reformas estruturais no futebol nacional.
“O fracasso no CAN 2025 não pode ser visto apenas como um mau resultado desportivo. É o reflexo de fragilidades profundas, desde o planeamento até à gestão do futebol. Angola precisa decidir se quer competir ou apenas participar”, analisou.
Segundo José Fernandes, o momento exige coragem institucional. “Assumir o erro é o primeiro passo, mas o mais importante será transformar esta frustração em mudanças concretas, sobretudo na formação, na organização das competições internas e na estabilidade técnica da Selecção”, acrescentou.
Balanço desportivo
Angola encerrou a sua campanha no Grupo B na terceira posição, somando dois empates frente ao Zimbabwe (1-1) e ao Egipto (0-0), e uma derrota diante da África do Sul (1-2). As Palancas Negras marcaram dois golos e sofreram três, resultados insuficientes para garantir a qualificação para a fase seguinte da prova. A eliminação, consumada após o nulo diante do Egipto, reacende o debate nacional sobre o futuro do futebol angolano, num momento em que adeptos, analistas e dirigentes convergem numa certeza, é preciso mais do que talento para devolver o orgulho às Palancas Negras.