O preço do barril de petróleo Brent, referência para as exportações petrolíferas angolanas, continuou a negociar-se acima dos 60 dólares nesta semana, apesar das tensões geopolíticas na Venezuela e dos efeitos de uma recente intervenção militar dos Estados Unidos naquele país sul-americano.
P Brent abriu o dia a cotar cerca de 61,73 dólares por barril, mantendo-se estável no patamar que tem servido de base para a preparação do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026, que foi elaborado considerando um preço médio de cerca de 61 dólares por barril.
O mercado petrolífero tem acompanhado com atenção a situação na Venezuela, um dos países com maiores reservas de petróleo bruto do mundo, cujas exportações e produção se encontram historicamente condicionadas pelas sanções e pela instabilidade política e económica.

Os analistas têm registado que, apesar da tensão política acentuada pela intervenção armada dos Estados Unidos e pela instalação de Delcy Rodríguez como líder interina do país, os preços do crude têm mostrado respostas moderadas aos acontecimentos externos. Factores como o excesso de oferta global continuam a exercer pressão sobre os preços, equilibrando os receios de perturbação no fornecimento.
Na sequência da intervenção dos EUA, que exigiu “acesso total” aos recursos naturais venezuelanos, e da decisão do grupo OPEP+ de manter os níveis de produção até Abril, os preços internacionais do petróleo chegaram a registar uma ligeira queda, com o Brent a descer cerca de 0,6% para perto de 60,4 dólares por barril em sessões anteriores.
Apesar dessas flutuações e da volatilidade típica dos mercados energéticos, o Brent tem resistido acima da fasquia dos 60 dólares, um sinal de que a estabilidade parcial dos stocks globais, combinada com a atenção dos investidores à evolução da situação venezuelana, continua a moldar o comportamento dos preços.
Especialistas sublinham que, em 2026, o mercado petrolífero poderá permanecer sob pressão se as preocupações com excesso de oferta global e fraca procura persistirem, mesmo num contexto de instabilidade geopolítica contínua. O desempenho dos preços do petróleo nos próximos meses será, assim, influenciado tanto por fatores geopolíticos como os desdobramentos na Venezuela quanto pelos equilíbrios entre oferta e procura no mercado global, com impacto directo nas economias exportadoras petrolíferas, incluindo Angola.