Brasília – Angola e Brasil deram um passo histórico na diplomacia cultural com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre os ministros da Cultura, Filipe Zau e Margareth Menezes, numa cerimônia realizada na Fundação Palmares, em Brasília, na sexta-feira, 3 de abril de 2026. O acordo visa reforçar a cooperação técnica e institucional, facilitar a mobilidade de artistas e apoiar a candidatura do semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
O evento marcou a celebração dos 50 anos de relações diplomáticas entre Angola e Brasil e destacou o profundo vínculo histórico entre as duas nações, baseado na fraternidade e consanguinidade, como salientou o ministro Filipe Zau. Durante o discurso, Zau lembrou o período entre os séculos XVIII e XIX, quando Angola funcionou quase como uma “feitoria” para o Brasil, com a maior parte das suas exportações – sobretudo pessoas escravizadas – destinadas ao território brasileiro.
“Angola e Brasil, herdeiros históricos da desumanidade das sociedades escravocratas, estão de parabéns por apoiarem o reconhecimento do tráfico de escravos como o maior holocausto contra a Humanidade”, afirmou o ministro, reforçando o valor da memória histórica na construção da amizade entre os povos.
O memorando assinado foca-se na cooperação técnica e institucional, incluindo uma parceria oficial entre o Arquivo Nacional de Angola e a Biblioteca Nacional do Brasil, com o objetivo de ampliar o conhecimento mútuo sobre as identidades nacionais e promover uma justiça reparadora para africanos e afrodescendentes.
Durante o encontro, Filipe Zau, que estudou em Brasília na década de 1980, expressou satisfação pessoal e política com o momento, lembrando que o Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de Angola, em 1975. O ministro também destacou a importância de reforçar o intercâmbio cultural e a circulação de artistas, promovendo iniciativas que valorizem as culturas de matriz africana e afrodescendente na diáspora.
A visita oficial, realizada entre 25 de março e 1 de abril, incluiu encontros de trabalho, palestras e debates sobre cooperação cultural e artística, culminando na assinatura de dois Memorandos de Entendimento, abrangendo áreas da cultura e das artes, incluindo o acordo entre a Fundação Biblioteca Nacional do Brasil e o Arquivo Nacional de Angola.

As partes reiteraram que a cultura desempenha papel estratégico na promoção do desenvolvimento, na aproximação entre os povos e na reconciliação histórica, alinhando-se às recomendações da União Africana sobre reparação histórica e restituição de bens culturais. O memorando também reforça a valorização do Património Cultural comum e da língua portuguesa enriquecida pela linguística Bantu, simbolizando um novo capítulo na cooperação cultural entre os dois países.