Encontro histórico no Bengo transforma competição desportiva em símbolo de cooperação estratégica entre dois povos
O dia 28 de fevereiro de 2026 ficará registado como uma data simbólica para o desporto paralímpico e para as relações bilaterais entre Angola e China. No Complexo Desportivo Paralímpico do Bengo, a Seleção Nacional de Basquetebol em Cadeira de Rodas mediu forças com a Delegação Chinesa, num jogo que foi muito além da lógica do marcador.
A vitória da equipa chinesa por 59-30 não ofuscou o verdadeiro significado do evento: a consolidação de uma parceria estratégica baseada na cooperação, no respeito mútuo e na promoção da inclusão social através do desporto.
Um intercâmbio que concretiza compromissos
A presença da delegação chinesa em Angola, entre 26 de fevereiro e 3 de março de 2026, insere-se na implementação do Memorando de Entendimento assinado entre os Comités Paralímpicos dos dois países. Trata-se de um passo concreto na construção de uma cooperação estruturada, que privilegia a troca de experiências técnicas, o reforço das capacidades institucionais e o desenvolvimento do desporto adaptado.

Durante a estadia, estão a ser realizadas sessões de treino conjuntas, encontros técnicos e momentos de partilha metodológica iniciativas que reforçam não apenas o nível competitivo das equipas, mas também a confiança institucional entre as duas nações.
Diplomacia em campo
O encontro contou com a presença do Embaixador da China em Angola, Zhang Bin, do Presidente do Comité Paralímpico de Angola, Leonel da Rocha Pinto, e do Vice-Governador da Província do Bengo, José Francisco Bartolomeu Pedro.
A presença destas entidades reforçou a dimensão diplomática da iniciativa. O desporto, neste contexto, afirmou-se como instrumento de “soft power”, capaz de aproximar culturas, fortalecer laços institucionais e transmitir uma mensagem clara de cooperação e solidariedade internacional.
Energia nas bancadas, emoção no pavilhão
O pavilhão encheu-se de vida. Mais de uma centena de apoiantes angolanos e chineses partilharam o mesmo espaço, as mesmas emoções e o mesmo entusiasmo. Bandeiras erguidas, aplausos constantes e palavras de incentivo ecoaram ao longo de toda a partida.

Cada jogada refletia superação, disciplina e espírito coletivo. Cada ponto marcado era celebrado como vitória da inclusão. O ambiente foi de festa, mas também de reconhecimento do esforço e da dedicação de atletas que representam não apenas as suas seleções, mas a força transformadora do desporto adaptado.
Muito mais do que um jogo
Num mundo marcado por desafios geopolíticos e tensões internacionais, eventos como este demonstram que a cooperação entre Estados pode encontrar no desporto um terreno fértil para a construção de confiança e entendimento.
A iniciativa reforça a crescente diversificação da parceria China–Angola, tradicionalmente associada à cooperação económica e infraestrutural, e agora ampliada para o domínio humano e social.

No Complexo Desportivo Paralímpico do Bengo, o que se viu foi mais do que um confronto entre duas equipas. Assistiu-se a um gesto concreto de amizade entre nações, à afirmação da inclusão como valor universal e à confirmação de que o desporto continua a ser uma das linguagens mais poderosas de união entre os povos.
Porque, no final, o verdadeiro resultado não se mediu no marcador. Mediu-se na força dos aplausos, na partilha de experiências e na consolidação de uma amizade que continua a crescer entre Angola e China.