JOÃO LOURENÇO DESAFIA OMA A LIDERAR COMBATE ÀS DESIGUALDADES E INJUSTIÇAS CONTRA A MULHER

JOÃO LOURENÇO DESAFIA OMA A LIDERAR COMBATE ÀS DESIGUALDADES E INJUSTIÇAS CONTRA A MULHER

Política

Luanda — O Presidente do MPLA, João Lourenço, defendeu, sábado, que a nova direcção da Organização da Mulher Angolana (OMA) deve assumir um papel mais activo e estratégico na resposta aos problemas reais que afectam as mulheres angolanas, desde a violência baseada no género até à exclusão social e económica.

Ao discursar na abertura do 8.º Congresso Ordinário da organização feminina do MPLA, o líder partidário sublinhou que a OMA precisa reforçar a capacidade de escuta, a proximidade às bases e a coragem política para enfrentar desafios estruturais que persistem na sociedade. O conclave confirma Carlota Dias como nova secretária-geral, sucedendo a Joana Tomás, que dirigiu a organização nos últimos cinco anos.

João Lourenço apontou as metas durante o discurso na cerimónia de abertura do 8.º Congresso Ordinário da Organização da Mulher Angolana (OMA), que confirma, hoje, Carlota Dias como a nova secretária-geral da organização feminina do MPLA, em substituição de Joana Tomás, que liderou os destinos da instituição nos últimos cinco anos.

O líder do MPLA referiu que a OMA deve continuar a ser uma força política activa na defesa da dignidade da mulher, no combate à violência baseada no género, na promoção da autonomia económica, no acesso à educação, à saúde, ao emprego digno e à participação efectiva da mulher nos centros de poder.

“Onde houver injustiça contra a mulher, a OMA deve estar presente com firmeza política, com coragem cívica e com capacidade de mobilização social”, orientou.

João Lourenço disse que o lema do Congresso (“Mulher Angolana: Unidas para Transformar os Desafios em Conquistas) não deve ser apenas uma palavra de ordem.

Num discurso que destacou, em vários momentos, o contributo da mulher angolana no processo de desenvolvimento do país, em vários níveis, João Lourenço fez saber que o MPLA e o Executivo angolano contam com a OMA como parceira nos vários desafios que o país ainda enfrenta, como a luta contra as desigualdades sociais e contra aqueles que afectam a própria mulher, por exemplo.

“Contamos com a força, a autoridade moral e influência da OMA na luta contra o comportamento criminoso das famílias que expulsam de seus lares os próprios filhos, acusando-os, sem fundamento, de serem feiticeiros”, aclarou o líder do partido, para quem a organização também deve levar muito a sério o combate à mutilação genital feminina.

A OMA, sublinhou João Lourenço, não é apenas uma organização de massas do MPLA, mas, sim, um dos seus pilares históricos e estruturantes.

Disse ser com as mulheres, com o seu sacrifício, a sua coragem e entrega à causa da libertação nacional, da paz, da reconciliação e da reconstrução do país que o MPLA continua a afirmar-se como força dirigente da Nação.

“Continua a ser com as mulheres que o MPLA se fortalece, se projecta para o futuro e se prepara para vencer os desafios políticos, económicos e sociais do nosso tempo”, afirmou.

O Presidente do MPLA ressaltou que as mulheres angolanas constituem o rosto da resistência quotidiana e a base real da coesão social. O líder do partido que sustenta o Governo admitiu que onde o Estado ainda não chega com a rapidez que se deseja, muitas vezes, são as mulheres das comunidades que asseguram a estabilidade, a sobrevivência e a esperança dos cidadãos.

A preparação do IX Congresso Ordinário do MPLA e o caminho para as Eleições Gerais de 2027, destacou o Presidente do MPLA, exigem uma OMA mais mobilizadora, organicamente mais coesa e cada vez mais inserida na sociedade.

“A vitória do MPLA será, em grande medida, uma vitória construída nos bairros, nas comunidades, nos mercados, nas igrejas, nas escolas e nas famílias, espaços onde a mulher tem influência directa e determinante”, declarou.

Para João Lourenço, a participação política da mulher é uma exigência de justiça histórica, uma condição de legitimidade democrática e uma necessidade estratégica para a qualidade da governação.

“Não há desenvolvimento sustentável sem igualdade de género, não há democracia sólida sem mulheres nos espaços de decisão, não há transformação social profunda sem o protagonismo e liderança feminina na política, na economia e na vida comunitária”, afirmou.

“Queremos um país mais justo”

O Presidente do MPLA referiu que a mulher angolana é uma força central da transformação nacional, porque, quando elas avançam, o país se fortalece e Angola consolida o seu caminho de estabilidade, desenvolvimento e preservação da soberania nacional.  

Apesar dos desafios ainda por resolver, no que diz respeito à afirmação da mulher, João Lourenço destacou os avanços já conquistados, que, como avançou, serão consolidados com as políticas públicas e sociais em curso, com vista a assegurar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres em todos os domínios da sociedade.

O Presidente do MPLA aproveitou a ocasião para reconhecer o papel desempenhado pela secretária-geral cessante da OMA, Joana Tomás, e às antigas líderes da organização Luzia Inglês Van-Dúnen “Inga” e Ruth Neto, pelo contributo à causa da emancipação e dignificação da mulher.

 “Homenagem às nossas heroínas”

O momento serviu, ainda, para o líder do partido render homenagem às nacionalistas Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Lucrécia Paim, Teresa Afonso e Engrácia dos Santos, bem como a todas as mulheres que já não fazem parte do mundo dos vivos e que deram o seu melhor pela Pátria.

Saudou, igualmente, todas as mulheres angolanas do campo à cidade, da base aos escalões mais altos da OMA, do partido e da sociedade angolana, que, apesar das adversidades, continuam a sustentar famílias, a educar gerações, a dinamizar comunidades e a participar activamente na vida política, social e económica do país. “Estamos a escassos dias do início do mês de Março, mês dedicado à mulher angolana e à mulher de todo o mundo. Antecipadamente, desejo um feliz Março Mulher”, felicitou.  

O Presidente do MPLA aproveitou, ainda, a ocasião para manifestar solidariedade para com todas as mulheres que na RDC, no Sudão, na Ucrânia e na Palestina, em particular na Faixa de Gaza, ainda sofrem, junto a seus filhos e familiares, os horrores da guerra. “Temos fé que a paz justa chegará a esses territórios e que as mortes de milhares de cidadãos e a destruição das infra-estruturas darão lugar ao desenvolvimento económico e social e à prosperidade”, declarou o líder do MPLA.

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